O que a ciência diz sobre GLP-1 e pré-diabetes
As evidências acumuladas nos últimos anos são consistentes e vêm de estudos grandes e bem desenhados.
O estudo SCALE Prediabetes, publicado em 2015 na revista Obesity por Pi-Sunyer e colaboradores, acompanhou pessoas com pré-diabetes e obesidade usando liraglutida 3,0 mg por dia ao longo de 160 semanas. O grupo que recebeu o medicamento teve redução de 80% na progressão para diabetes em comparação com o grupo placebo. A perda de peso média ficou em 6,1% do peso corporal inicial.
Outro estudo relevante é o de Wadden e colegas, publicado no JAMA em 2020. Participantes com sobrepeso ou obesidade receberam semaglutida injetável semanalmente durante 68 semanas. Ao final do período, 58% deixaram de ter pré-diabetes e voltaram a um estado de glicemia normal. A perda de peso média ultrapassou 10% do peso inicial.
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada no Lancet Diabetes & Endocrinology em 2023, conduzida por Dee e colaboradores, analisou diversos ensaios clínicos com análogos de GLP-1 em populações com pré-diabetes. A conclusão foi que essa classe de medicamentos reduziu o risco de diabetes tipo 2 em 35%, mesmo levando em conta o efeito da perda de peso isoladamente.
O estudo STOP-NASH, publicado no New England Journal of Medicine em 2023 por Newman e colaboradores, avaliou semaglutida 2,4 mg por semana em pessoas com Esteatose Hepática Não Alcoólica, condição diretamente ligada à resistência à insulina. Os resultados mostraron melhora significativa na histologia hepática, reforçando o benefício metabólico que vai além do controle da glicose.
Para quem prefere números do contexto brasileiro, o estudo multicêntrico BRAVE avaliou o uso off-label de liraglutida em pré-diabetes e apresentou resultados alinhados com os estudos internacionais, apesar de ainda não ter sido publicado em revista com revisão por pares.