Os Nutrientes Mais Afetados
Vitamina B12
A B12 e uma das deficiências mais frequentes em quem usa GLP-1 por tempo prolongado. Ela depende de ácido clorídrico para ser absorvida, e como o estômago esvazia mais devagar, a liberação de ácido pode não ser suficiente. A deficiência de B12 causa anemia, fadiga persistente, danos neurológicos e formigamento nas extremidades.
As fontes alimentares principais são carne bovina, frango, peixe, ovos e laticínios. Se você reduziu bastante o consumo desses alimentos para emagrecer, o risco sobe bastante.
A recomendação usual para quem apresenta deficiência e de 1000 a 5000 microgramas de metilcobalamina ou cianocobalamina por dia, via oral, ate os níveis normalizarem. Depois disso, uma dose de manutenção de 500 a 1000 mcg semanal ou diária pode ser suficiente. Mas isso varia. Só um médico ou nutricionista pode definir a dose correta para o seu caso.
Ferro
O ferro também merece atenção. A perda de peso por si só melhora a resistência à insulina e reduz inflamações, mas a restrição alimentar diminui a ingestão de carnes vermelhas e leguminosas, que são fontes importantes do mineral.
Mulheres em idade fértil têm risco ainda maior por causa das perdas menstruais. Homens e mulheres pós-menopausa que fazem dieta restritiva também precisam monitorar.
Os sinais clássicos de deficiência de ferro incluem cansaço desproporcional ao esforço, pele pálida, unhas fracas e queda de cabelo acentuada. O exame de ferritina e o ferro sérico permitem avaliar. Ferritina abaixo de 30 ng/mL já indica depleção, mesmo que o ferro sérico ainda pareça normal.
A suplementação de ferro normalmente usa sulfato ferroso ou ferro quelato, na dose de 15 a 45 mg de ferro elementar por dia, preferencialmente com vitamina C para melhorar a absorção. Importante: tome separado de suplementos de cálcio e de hormônios tireoidianos por pelo menos duas horas.
Vitamina D
A vitamina D afeta a saúde óssea, a imunidade e até o humor. Durante a perda de peso rápida, ela pode ser mobilizada dos estoques corporais para manter os níveis no sangue, e se você não ingere o suficiente pela dieta ou exposição solar, a deficiência aparece.
O exame 25-hidroxivitamina D e o padrão para avaliar. Níveis abaixo de 20 ng/mL são deficiência. Entre 20 e 30 ng/mL são insuficiência. O ideal para a maioria dos adultos fica acima de 30 ng/mL.
A suplementação varia de 1000 a 4000 UI diárias dependendo do nível inicial. A vitamina D3 (colecalciferol) e a forma mais absorvível. Tome junto com uma refeição que contenha gordura para melhorar a biodisponibilidade.
Eletrólitos: Magnésio, Potássio e Sódio
Aqui está um ponto que poucos posts mencionam mas que causa muito desconforto prático. Quando você começa a perder peso rapidamente, especialmente nas primeiras semanas, o corpo libera água e eletrólitos. Se você não repõe, sente cãimbras, tontura, dor de cabeça e mal-estar geral.
O magnésio e particularmente afetado. Ele está envolvido em mais de 300 reações enzimáticas, incluindo a regulação da pressão arterial e a função muscular. A deficiência leve já causa cãimbras noturnas e irritabilidade.
O potássio cai quando você reduz o consumo de frutas e verduras. O sódio pode cair se você também reduziu drasticamente o sal por orientação médica anterior.
A reposta prática: aumente o consumo de alimentos ricos nesses minerais. Abacate, banana, espinafre, sementes de abóbora, feijão e sal marinho não processado ajudam. Se a dieta não for suficiente, suplementos de magnésio quelato na dose de 200 a 400 mg diários costumam ser bem tolerados.
Folato
O ácido fólico ou metilfolato e importante para a formação de células sangue e para controlar os níveis de homocisteína, um marcador de risco cardiovascular. A deficiência pode causar anemia e fadiga.
Mulheres que planejam engravidar ou estão grávidas precisam de atenção redobrada, porque a necessidade de folato é alta. A recomendação geral e de 400 a 800 mcg de ácido fólico ou metilfolato por dia.