Se você já leu uma reportagem sobre medicamentos para emagrecer, provavelmente esbarrou com GLP-1 e GIP. Afinal, GLP-1 o que é? A sigla vem do inglês « glucagon-like peptide 1 », que em português pode ser traduzido como peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1. A palavra « peptídeo » indica uma cadeia curta de aminoácidos, menor do que uma proteína completa. Ou seja, trata-se de uma molécula pequena que envia sinais entre as células.
Entenda o que significam as siglas GLP-1 e GIP, de onde vêm esses hormônios e como eles atuam no pâncreas, no estômago e no cérebro.
Decifrando as siglas
GIP é a sigla de « glucose-dependent insulinotropic polypeptide », que quer dizer polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose. Vale contar que o nome antigo era « gastric inhibitory polypeptide », ou polipeptídeo inibidor gástrico. A troca aconteceu porque pesquisas mostraram que o hormônio estimula a liberação de insulina, e não apenas freia a secreção gástrica, como se imaginava no início.
Os dois hormônios pertencem a um grupo chamado incretinas. Uma incretina é um hormônio liberado pelo intestino depois da refeição que potencializa a secreção de insulina pelo pâncreas. A nomenclatura aparece em revisões de fisiologia endócrina e em textos de referência, como os de Daniel Drucker e Juris Meier, além de verbetes de dicionários médicos especializados.
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See it in the appDe onde vêm e quando são liberados
O GLP-1 é produzido por células L, que se concentram no íleo e na porção distal do cólon. O GIP vem das células K, presentes principalmente no duodeno e no jejuno. Repare que são regiões diferentes do intestino, o que já sugere papéis complementares.
A liberação acontece em resposta à ingestão de alimentos, sobretudo carboidratos e gorduras. Não se trata de um fluxo constante ao longo do dia. O corpo libera mais quando há comida chegando ao intestino e reduz a produção quando o estímulo passa.
Um experimento clássico ajuda a entender essa participação. Quando a glicose é administrada por via oral, a resposta de insulina costuma ser maior do que a observada com a mesma quantidade de glicose aplicada por via intravenosa. Esse é o chamado efeito incretina. As diferenças foram documentadas tanto em voluntários saudáveis quanto em pessoas com diabetes tipo 2, e sustentam a ideia de que o intestino participa ativamente do controle glicêmico. Quem acompanha a própria rotina pode usar o PeptPro para anotar os horários das refeições e comparar essas informações com o que a literatura descreve. Isso não substitui a avaliação de um médico, mas pode facilitar a conversa.