Os principais indicadores que você precisa acompanhar
Glicemia de jejum e hemoglobina glicada (HbA1c)
A glicemia de jejum mede o açúcar no sangue depois de pelo menos oito horas sem comer. A hemoglobina glicada reflete a média dos últimos três meses. É como uma fotografia panorâmica em vez de uma selfie.
Para quem usa Ozempic ou Mounjaro, a redução da HbA1c é um dos principais marcadores de sucesso. Nos estudos com semaglutida, muitos participantes alcançaram valores abaixo de 7%, meta recomendada pela ADA para adultos com diabetes tipo 2.
A frequência ideal é mensal nos primeiros três meses, depois a cada três meses na manutenção. Se você sente tontura, fome excessiva ou confusão mental, corre para fazer a glicemia. Esses sintomas podem indicar dose alta demais.
Perfil lipídico
GLP-1 não é medicamento para colesterol, mas os dados mostram efeitos positivos nessa área. Estudos indicam reduções moderadas de triglicerídeos e aumentos discretos de HDL em pacientes que usam semaglutida.
O perfil lipídico completo inclui colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos. Jejum de 12 horas é necessário para resultados precisos. Faça esse exame na mesma frequência que a glicemia nos primeiros meses. Depois, a cada seis meses funciona para a maioria. Quem tem histórico cardiovascular pode precisar de monitorização mais frequente.
Função hepática
O fígado merece atenção. A FDA e a EMA recomendam monitoramento da função hepática em tratamentos prolongados com agonistas de GLP-1, especialmente em pacientes com esteatose hepática.
Os exames incluem ALT, AST e bilirrubinas. Se qualquer valor sobe mais de três vezes acima do limite superior, é preciso investigar. Não significa automaticamente dano do medicamento, mas precisa ser avaliado.
Creatinina e taxa de filtração glomerular (TFG)
A creatinina é um resíduo que os rins filtram. Quando está alta no sangue, significa que os rins não estão funcionando direito. A TFG estima a capacidade de filtração e é o número que mais importa para decisões clínicas.
GLP-1 é eliminado parcialmente pelos rins. Quem tem doença renal crônica ou está no limite inferior da normalidade precisa de cautela. O médico pode precisar reduzir a dose se a TFG cair abaixo de certo nível.
Esse exame é especialmente importante para pessoas acima de 60 anos, quem tem diagnóstico de doença renal, ou quem usa outros medicamentos que afetam os rins. A frequência padrão é a cada seis meses.
Amilase e lipase pancreáticas
Esses enzymes sobem no sangue quando o pâncreas inflama. Ensaios clínicos com GLP-1 registraram casos raros de pancreatite, e por isso o monitoramento é recomendado.
O ponto de corte habitual é três vezes o limite superior do normal. Se sua lipase está três vezes acima do esperado, o médico vai investigar antes de continuar o tratamento.
A maioria dos pacientes não precisa fazer esses exames com frequência alta. São mais relevantes se houver sintomas como dor abdominal intensa, náusea persistente ou vômito que não para.